Um domingo qualquer

Foto: VIPCOMM

Já programado para ver in loco o que deveria ser (e foi) o melhor jogo do Paulistão 2010, acordei de supetão, um pouco assustado com o barulho vindo da janela. Era a tal da caminhada contra o sedentarismo.

Como levantei antes do previsto, resolvi também sair antes do previsto. E dois ‘laranja com morango’ e uma parada na banca depois, já estava a caminho do Morumbi, palco da partida entre São Paulo e Santos, a primeira das semifinais do Estadual.

Não sem antes abrir os 15 pacotinhos de figurinha da Copa que comprei junto com o jornal e organizar os cromos por ordem numérica. Não é mania! É que o tempo de ‘colar’ diminui bem com eles assim arrumados….

Tinha de fazer hora, mas não estava com fome. Pelo menos não para almoçar um prato de domingo ou a famosa dupla ‘pernil-calabresa’ de porta de estádio. Então, de jornal debaixo do braço e radinho no ouvido, resolvi entrar, mesmo faltando pouco mais de duas horas para o início da peleja.

Já na arquibancada, obviamente ainda vazia, folheava as notícias do dia atento também às ondas do rádio. Foi quando ouvi, lá longe: “Vai passar pela avenida um samba popular…”.

Abaixei o volume do pré-jogo e identifiquei o Chico nos auto-falantes do Morumbi. Ah, que beleza! Um ouvido na análise dos comentaristas, o outro curtindo o finalzinho de “Vai Passar” e os olhos nas entrevistas de Robinho e Hernanes.

Estava atento, e assim que a voz do capitão do invicto Politeama foi substituída pela Pimentinha de Vinicius cantando ‘O Bêbado e o Equilibrista’ fui obrigado a mudar minha ‘programação’.

Desliguei o rádio, fechei o jornal e comecei a cantar com a Elis. “Chora, a minha pátria mãe gentil”… Sentado, olhando para o gramado do Cícero Pompeu de Toledo com aquele solzinho gostoso, pensei: “uhn… que delícia!”.

E como a imortal MPB tem a ver com futebol! Mas não com esse futebol de hoje, cheio de negócios, dinheiro, brigas de torcida, mortes, politicagem, etc. Com o futebol na essência… daquela época que se amarrava cachorro com lingüiça, diria o ‘Big Phil’.

As pessoas foram chegando e o encanto se acabando. Ainda deu tempo de ouvir Jorge Ben, Gal, Chico (mais uma vez) e Paulinho da Viola antes das cheerleaders entrarem com aquela barulheira ‘do estrangeiro’. Mudança até que compreensível, já que não dá pra jogar as pernas pro ar ao som de “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”!

Falando do Esporte Bretão, o jogo foi bom, equilibrado e correspondeu às expectativas. Após o apito final, 3 a 2 para o Peixe em uma partida que não deveria ter perdedor.

O Santos, com sua rápida meninada, fez 2 a 0 no primeiro tempo. O Tricolor, valente, chegou a empatar mesmo com um homem a menos, mas sucumbiu nos minutos finais.

Realmente um grande clássico, de boa técnica, tática, raça, finta, dribles e superação.

E pra mim, um domingo especial, difícil de acontecer pelo ‘casamento’ do bom tempo com o bom futebol, a boa comida, a boa música e, no final do dia, a melhor das companhias.

Mas bem que ele poderia ser um domingo normal e corriqueiro como outro qualquer…

8 Respostas to “Um domingo qualquer”

  1. Dan Says:

    Chico pra qualquer hora. À noite sua companhia insubstituível. Amo você

  2. Flávio Araújo Says:

    Beleza Gustavo, parabéns! Mora no Morumbi (vai a pé ao estádio) e pode ouvir MPB da melhor qualidade. Depois desses privilégios nem precisava mais do futebol. O domingo já estava completo. Abraço, Flávio.

  3. Rodrigo Linhares Says:

    Nota 10 à maravilhosa Elis, ao grande Chico e ao ótimo texto!

    Nota ZERO mais uma vez ao Tricolor no quesito “momento de decisão”.

    No ano passado, perdeu o título brasileiro em uma partida contra o Goiás, que já não brigava por nada.

    E, ontem, por mais que a superioridade técnica da equipe santista seja conhecida, não poderia ter perdido dentro de seus domínios.

    Possivelmente, encerrará sua participação no Campeonato Paulista sem vencer nenhum clássico.

    E, provavelmente, perdendo todos eles.

    Ah, eu não estava lá, mas certamente também daria ZERO a algumas barulheiras ” do estrangeiro”…

  4. ze Says:

    acordou assustado com a caminhada contra o sedentarismo? kkkk

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